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domingo, 3 de julho de 2011

Lua, a noiva na janela

Bruno tinha uma teoria sobre a lua que subia no céu e aparecia em sua janela, sobre o mar ferino que ameaçava invadir sua casa e o sol luminoso que o acordava pela manhã.
A lua estava prometida ao sol e, por ser muito ciumento, ele a escondeu atrás das nuvens enquanto vigiava todos os homens do alto. Porém, um dia, a lua ficou cansada de ficar escondida atrás das nuvens e desceu à Terra, à noite, para se banhar. Ela, linda e branca, mergulhou no mar, forte e negro, que passava seu tempo provocando os recifes resmungões. Os dois, assim que se encontraram, perderam-se nas marés do amor e, desde aquele lindo momento, toda vez que o sol se deitava para dormir, a lua escapulia do céu para encontrar o mar.
Bruno assistia às cenas de amor da lua e do mar todas as noites, debruçado na janela de seu quarto, rindo do pobre sol traído.
Passaram-se muitas semanas desde que o romance começara e Bruno passara a expiá-los por sua janela, quando, um dia, a lua não apareceu.
A noite estava escura, mas não havia sinal da brincalhona chuva, que às vezes vinha atrapalhar a lua. O céu estava limpo, mas nem sinal da amante.
Bruno olhou bem alto no céu e, lá em cima, viu uma linda bola preta com um brilho prateado à sua volta.
Naquele momento, Bruno não teve dúvidas: o sol descobrira tudo e, no momento em que a lua descia, ele a segurou e a escondeu atrás de si, porém não conseguiu esconder o brilho de sua noiva, que irradiava com desespero e dor pela descoberta.
Bruno saiu da janela, fechou os vidros, virou a chave no trinco e puxou as cortinas.
Ficou por muito tempo segurando as cortinas, com lágrimas nos olhos. Nunca mais veria a lua brilhar de alegria ou mar rugir seu amor. As noites nunca mais seriam lindas e doces como foram naqueles belos momentos de paixão.
Bruno nunca mais abriu a janela.

Fim

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